quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Vida em Família


  Vida em família

Neuza Lima/setembro/2018

Ai que saudades eu tenho
Da vida em família
Pai, mãe, irmãos
Muita música e alegria
A gente era feliz e sabia

Nas festas microfone não podia faltar
Do sertanejo ao Roberto Carlos
Todos queriam cantar
E com sua música preferida
A todos encantar

O dia varava a noite
A noite varava o dia
Parecia uma disputa
Para ver quem mais bebia

Nas festas natalinas
Todos se reuniam
Tinha amigo oculto
Que no fundo todos sabiam

O presente era que menos importava
O que contava era a alegria
Em descrever seu oculto amigo
Com orgulho e galhardia

A mesa era farta
Leitoa, cabrito e carneiro
Doces de todos os tipos
E no dia 25 a bacalhoada era certeira

Sempre tinha alguém
Que alegrava a criançada
E se vestia de papai-noel
Para os que ainda acreditava

Mas os primos malvados
Aguardavam o dia
De revelar para os maiorzinhos
Que ele não existia

A mãe-avó sempre sorrindo
Feliz com a casa cheia
Mas mal sabia ela
Que depois que ela dormia
E que a bebida subia
Rolava altas brigas
Entre os irmãos de cara cheia

E os pais um dia se foram
Só restaram as lembranças
E muita discussão
Na divisão das heranças

Os irmãos se separaram
Na divisão dos bens
Não houve acordo entre as partes
E não mais se deram bem

Só ficou uma saudade
Que dói fundo na alma
E por mais que se tente
Nada mais acalma.

Este é o nosso presente
E o futuro não pressente
Algo diferente no ar
Para animar um pouco a gente

Já pensei em acender velas
E rezar a todas as ordens
Mas o assunto exige
Não lei de Deus, mas dos homens.

Diante desta realidade
Sinto-me como uma fatia
De um bolo de aniversário
Desprezada num pratinho
Que ninguém quis degustar

Não há salvação
Nada posso fazer
Apenas assistir
O bolo desmoronar
Sem repartir

Queria ser super women
Com poderes magistrais
E repartir esse bolo
Em partes iguais.

Sorry, não sou super women.

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