Vida em família
Neuza
Lima/setembro/2018
Ai que saudades eu tenho
Da vida em família
Pai, mãe, irmãos
Muita música e alegria
A gente era feliz e sabia
Nas festas microfone não podia faltar
Do sertanejo ao Roberto Carlos
Todos queriam cantar
E com sua música preferida
A todos encantar
O dia varava a noite
A noite varava o dia
Parecia uma disputa
Para ver quem mais bebia
Nas festas natalinas
Todos se reuniam
Tinha amigo oculto
Que no fundo todos sabiam
O presente era que menos importava
O que contava era a alegria
Em descrever seu oculto amigo
Com orgulho e galhardia
A mesa era farta
Leitoa, cabrito e carneiro
Doces de todos os tipos
E no dia 25 a bacalhoada era certeira
Sempre tinha alguém
Que alegrava a criançada
E se vestia de papai-noel
Para os que ainda acreditava
Mas os primos malvados
Aguardavam o dia
De revelar para os maiorzinhos
Que ele não existia
A mãe-avó sempre sorrindo
Feliz com a casa cheia
Mas mal sabia ela
Que depois que ela dormia
E que a bebida subia
Rolava altas brigas
Entre os irmãos de cara cheia
E os pais um dia se foram
Só restaram as lembranças
E muita discussão
Na divisão das heranças
Os irmãos se separaram
Na divisão dos bens
Não houve acordo entre as partes
E não mais se deram bem
Só ficou uma saudade
Que dói fundo na alma
E por mais que se tente
Nada mais acalma.
Este é o nosso presente
E o futuro não pressente
Algo diferente no ar
Para animar um pouco a gente
Já pensei em acender velas
E rezar a todas as ordens
Mas o assunto exige
Não lei de Deus, mas dos homens.
Diante desta realidade
Sinto-me como uma fatia
De um bolo de aniversário
Desprezada num pratinho
Que ninguém quis degustar
Não há salvação
Nada posso fazer
Apenas assistir
O bolo desmoronar
Sem repartir
Queria ser super women
Com poderes magistrais
E repartir esse bolo
Em partes iguais.
Sorry, não sou super women.
Nenhum comentário:
Postar um comentário