Mensagem de Finados
Tenho uma finada amiga que
aniversariava 02/11 e isto sempre a incomodava, se pudesse ela trocaria o dia
de seu nascimento no cartório. Chegou a pensar em fazê-lo, mas desistiu visto
que entendeu que estaria mentindo pra si mesma. Os anos transcorreram e suas
festas de aniversário eram antes ou depois do dia de finados, e nenhum de nós,
obviamente, ousava cumprimentá-la no dia 02. O nome dela é Ivanda. Figurassa!
Nascida em Divinópolis, foi militante de esquerda na luta contra a ditadura
pela democracia a partir dos 16 anos, chegando, nessa época, a viver
clandestinamente. Eu a conheci na UFMG, eu na FAFICH ela no ICB, mas como todo
militante, a gente não tinha escola, a UFMG era nossa e nós, irmanados pelo
sangue revolucionário que corria em nossas veias, éramos um só. Foi uma
estudante sem grana, morou no Borges da Costa, espaço da Escola de Medicina da
UFMG que os estudantes ocuparam e transformaram na marra em Moradia Estudantil.
Por outro lado, era uma mulher romântica, sonhadora vivia esperando encontrar
seu grande amor. Após os trinta, encontrou, num passeio a Franca, o Jean
François. Um cara bonachão, gente boa, excelente cozinheiro que se apaixonou
pela Ivanda e pelo Brasil. Casaram-se, abriram uma Creperia em Santa Teresa,
Santê, era seu nome. Não deu muito certo e ele optou por vender Quiches
congelados. Ivanda era funcionária pública da Assembleia, ALMG. Ivanda sempre
foi muito batalhadora, suas conquistas materiais foram fruto de muito trabalho.
Lembro-me que antes de passar no concurso da Assembleia ela ia e voltava de
ônibus, do Nordeste, Recife, Fortaleza para comprar os belos artesanatos da
região e vende-los aqui. Começou assim, depois foi sofisticando, passou a
vender perfumes, comprados em Buenos Aires e finalmente Paris e o Amor. Desse
amor nasceu Nataly, uma bela e esperta menina de olhos azuis que deixava seus
papais muito preocupados, pois tão logo se entendeu por gente trocou as saias
pelos shortinhos. Odiava os vestidos de menina, preferia os confortáveis shorts
dos meninos. Finadamente, um dia, há alguns anos atrás, o acaso ou a
imprudência sabe-se lá de quem, ou do quê, eles indo de carro na estrada para
Divinópolis num feriado qualquer e de repente bum!!! Os três deixaram de
existir. A vocês, Ivanda, Nataly (ainda tão pequena) e Jean François dedico
minha emoção nesse dia 02/11/2015.
Neuzalima/novembro/2015
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