sexta-feira, 23 de novembro de 2018

PARA MINHA AMIGA IVANDA


Mensagem de Finados

Tenho uma finada amiga que aniversariava 02/11 e isto sempre a incomodava, se pudesse ela trocaria o dia de seu nascimento no cartório. Chegou a pensar em fazê-lo, mas desistiu visto que entendeu que estaria mentindo pra si mesma. Os anos transcorreram e suas festas de aniversário eram antes ou depois do dia de finados, e nenhum de nós, obviamente, ousava cumprimentá-la no dia 02. O nome dela é Ivanda. Figurassa! Nascida em Divinópolis, foi militante de esquerda na luta contra a ditadura pela democracia a partir dos 16 anos, chegando, nessa época, a viver clandestinamente. Eu a conheci na UFMG, eu na FAFICH ela no ICB, mas como todo militante, a gente não tinha escola, a UFMG era nossa e nós, irmanados pelo sangue revolucionário que corria em nossas veias, éramos um só. Foi uma estudante sem grana, morou no Borges da Costa, espaço da Escola de Medicina da UFMG que os estudantes ocuparam e transformaram na marra em Moradia Estudantil. Por outro lado, era uma mulher romântica, sonhadora vivia esperando encontrar seu grande amor. Após os trinta, encontrou, num passeio a Franca, o Jean François. Um cara bonachão, gente boa, excelente cozinheiro que se apaixonou pela Ivanda e pelo Brasil. Casaram-se, abriram uma Creperia em Santa Teresa, Santê, era seu nome. Não deu muito certo e ele optou por vender Quiches congelados. Ivanda era funcionária pública da Assembleia, ALMG. Ivanda sempre foi muito batalhadora, suas conquistas materiais foram fruto de muito trabalho. Lembro-me que antes de passar no concurso da Assembleia ela ia e voltava de ônibus, do Nordeste, Recife, Fortaleza para comprar os belos artesanatos da região e vende-los aqui. Começou assim, depois foi sofisticando, passou a vender perfumes, comprados em Buenos Aires e finalmente Paris e o Amor. Desse amor nasceu Nataly, uma bela e esperta menina de olhos azuis que deixava seus papais muito preocupados, pois tão logo se entendeu por gente trocou as saias pelos shortinhos. Odiava os vestidos de menina, preferia os confortáveis shorts dos meninos. Finadamente, um dia, há alguns anos atrás, o acaso ou a imprudência sabe-se lá de quem, ou do quê, eles indo de carro na estrada para Divinópolis num feriado qualquer e de repente bum!!! Os três deixaram de existir. A vocês, Ivanda, Nataly (ainda tão pequena) e Jean François dedico minha emoção nesse dia 02/11/2015.
Neuzalima/novembro/2015

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